O artigo sobre  a onça-pintada encontrada na Mata Atlântica em São Paulo, será atualizado no decorrer das pesquisas. Entretanto, o local exato não será divulgado para protegê-las.

 

Registros de ocorrência: 3 onças-pintada encontradas na Mata Atlântica da Baixada Santista, uma delas foi  fotografada!  E mais 2 informações a serem pesquisados para confirmação.

 

Testes de DNA das fezes, comprovaram ser de um macho de onça-pintada. Após um ano de rastreamento, por pegadas, deste macho, foi coletado suas fezes novamente à uma distância de 50 km, testes foram feitos, comprovando ser o mesmo animal. (veja fotos abaixo)

 

ONÇA-PINTADA

Panthera onca

 

Classificação

Classe: Mammalia
Ordem: Carnívora
Família: Felidae
Gênero:
Panthera
Nome popular: Onça-pintada
Nome científico:
Panthera onca
Distribuição geográfica: América do Norte, Central e América do Sul
Habitat: Florestas, pantanal, cerrado e caatinga
Hábitos alimentares: Carnívoro
Reprodução: Gestação de 73 a 105 dias
Período de vida: Aproximadamente 25 anos
 

 

O Grande Predador

          A onça-pintada (Panthera onca), mamífero, carnívoro, da família dos felídeos, sua distribuição geográfica estende-se do sul dos Estados Unidos até a Patagônia argentina, é o maior predador terrestre das Américas. Felino de grande força física possui uma das mais poderosas mordidas, mata mordendo o pescoço, na cervical, ou o crânio de sua presa. Caçador absoluto na cadeia alimentar, sua presença indica boa qualidade e equilíbrio do ambiente.

          Animal de hábito solitário demarca seu território urinando e defecando em pontos estratégicos, habitualmente arranham as árvores para marcar sua presença e afiar as unhas (tal qual fazem os gatos nos móveis). Sua pelagem é uma mescla de cores, amarelo, preto e branco em forma de rosetas, alguns espécimes apresenta uma coloração preta, devido à presença de maior quantidade da melanina, porém, é a mesma espécie; velhos mateiros e caçadores chamam de “lombo-preto”, indivíduos de coloração castanha escura em seu dorso; imputam-lhe também outros nomes como: canguçu, jaguar e jaguaretê (jaguarete vocábulo da língua guarani).

          Os diferentes habitat da onça-pintada lhe atribui tamanho diverso, acredita-se que seja em razão à maior fartura de presas e a vegetação menos densa, a que vive no pantanal é a maior de todas, diferenciando das que vivem em florestas, como as da Amazônia e a Mata Atlântica onde são menores, mas não menos extraordinárias.

          A baixa população de onças na floresta atlântica é preocupante, são poucos espécimes para manter uma situação aceitável e não haver consangüinidade. Contudo a natureza nos mostra a sua magnitude expondo mais uma vez a capacidade de recuperação, repovoando a sua fauna, mas isto implica que lutemos para a redução das ameaças impostas a que a mesma está sujeita.

          Nosso país tem o histórico de uma colonização extrativista, desmatavam e caçavam animais para enviá-los à Europa para presentear os nobres, eram símbolos de luxo e riqueza, ou para servir de escambo, ainda hoje ocorre o contrabando de nossos animais para o mundo.

         Com os imigrantes, o hábito da caça ficou muito difundido como esporte em nosso território e, ao longo do tempo, o desmatamento e as caçadas levaram muitas espécies à extinção e outras foram reduzidas a uma situação perigosa, juntamente com nossos biomas. A Mata Atlântica é um desses exemplos. Com a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, proibindo a caça, houve um aumento da fauna significativo, principalmente nos lugares onde os caçadores precisavam de transporte e que, de certa maneira, ajudou a coibir essa prática predadora, pois pelas estradas poderiam ser flagrados. Entretanto, com o descaso e a impunidade, nos limites das florestas com as cidades e em muitos sítios, situados em área de mata, a caça e o corte da palmeira juçara (Euterpe edulis) voltou a acontecer; é muito fácil encontrar armadilhas como laço, mundéu, gaiolas de carreiro, quebra-cabeça e ouvir tiros nessas regiões; pior ainda, os lugares em que se fazem encomendas de caça (fica o alerta para quem de direito).

           Não citarei o local exato para preservar o animal, mas fica muito próxima da cidade de São Paulo, na Mata Atlântica, a existência do maior predador terrestre das Américas.

           Tudo começou há aproximadamente 45 anos quando encontrei, pela primeira vez, uma onça-pintada; a partir daí, sempre andando por essas paragens a fim de fotografar a natureza, descobri que na região morava um canguçu macho e uma fêmea, convivendo na mesma região com onças-pardas (suçuarana). Como a caça diminuiu nos lugares afastados, os animais que estão nascendo no centro das florestas, ao chegar à idade adulta, migram, procurando outros territórios, e aproximam-se das cidades, onde fatalmente ocorrerão encontros com caçadores; estes, no caso, estão matando pacas, veados, porcos, como os catetos e queixadas, que são as presas naturais das onças; não havendo comida, elas irão atacar animais domésticos e serão taxadas de animais problemáticos. O desfecho é fácil calcular, a morte da onça!

            Provavelmente o filho ou neto desse casal está fixando território em um desses recantos; há 3 anos venho encontrando vestígios de sua presença no local, como fezes, pegadas, um esturro ao longe e um encontro visual no dia 5/5/2011 (amostras das fezes estão sendo armazenadas para análises de DNA).

          Preocupa-me muito o futuro de nosso meio ambiente e os rumos que se segue; como fotógrafo de natureza, observo e estudo os hábitos dos animais para melhor fotografá-los, ando por lugares surpreendentemente maravilhosos e expor fotos e descobertas para o público me traz responsabilidades sobre a preservação desses fatos. Precisamos combater a caça, o desmatamento e promover os corredores ecológicos. Chegou a hora de plantar o que destruímos ao longo dos anos e de todas as maneiras possíveis incentivarmos a atitude de preservação, seja com palestras ou em uma simples conversa, principalmente com as crianças.

        No início de 2012, continuo minhas pesquisas sobre a onça-pintada e, com o objetivo de encontrá-la, vou fotografando a natureza, que insiste em me deslumbrar a cada passeio realizado.

A onça-pintada possui um território muito extenso, dificultando a sua localização; as menores áreas foram estimadas em 13 km² nas florestas de Belize (Rabinowitz, & Nottingham, 1986) e as maiores em 265 km² no cerrado do Brasil central (Silveira, 2004). Para auxiliar minhas buscas, observo os seus hábitos de caça e de suas presas, como porcos, veados, antas, etc., que, por sua vez, seguem a disponibilidade de seus alimentos, como os frutos que amadurecem em diferentes regiões e épocas do ano dentro do domínio territorial da onça-pintada. Por vezes, a onça desaparece da região onde outrora se fazia presente e aparece novamente após alguns meses.

Com essas informações, estou indo na mesma época à região onde eu avistei uma onça no ano passado, no dia 5/5/2011.

       Já no local, e para minha surpresa, encontrei uma carcaça de um veado-mateiro (Mazama americana) recentemente abatido e devorado quase que totalmente, comprovando a presença do predador.

     Na semana seguinte, mesmo com mal tempo, percorri o local por 3 dias, deixando sempre meus filhos avisados sobre a região onde estaria, porque fui só para a mata. Em uma dessas buscas encontrei próximo a um grande guapuruvu (Schizolobium parahyba) tombado pelo vento a carcaça de um porco do mato, cateto (Tayassu tajacu), seus ossos já estavam corroídos pelo tempo e pelos insetos, mas ainda havia alguns pelos que identificam a espécie.

No terceiro dia de buscas, 25/4/2012, após o café da manhã, segui pela picada em busca de uma árvore frutífera, que em maio do ano passado estava com frutos muito apreciados pelo muriqui ou mono-carvoeiro (macacos que são também alimentos da onça). Mesmo com os frutos ainda verdes resolvi ficar à espera por 2 horas entre as raízes de uma figueira-mata-pau (Ficus guaranitica) que por segurança cobria as minhas costas, sentei-me e aguardei, mas nenhum animal ou ave apareceu, só os mosquitos! Retornando pela mesma picada durante 20 minutos aproximadamente, observei uma pegada de onça sobrepondo a minha, momento especial que me causou um “frio na espinha” e fotografei a audácia dessa “gata”.

Nesse momento, lembrei de um mito contado por antigos caçadores de onça com zagaia (lança muito afiada); diziam esses caçadores que a onça pisava sobre a pegada do caçador para sentir se ele era medroso.

Notei que ela seguia o carreiro (caminho de animais) dos catetos (Tayassu tajacu) que andavam pelas redondezas. Caminhei sorrateiramente em seu encalço por horas entre grotas e pirambeiras até perder suas pistas em um lajedo de pedras; por horas andando, o cansaço e a fome já se faziam sentir.

Resolvido a voltar, cortei caminho pela margem de um riacho que corria manso, quase não se ouviam seus burburinhos; metros adiante, encontrei alguns sapinhos e resolvi fotografá-los, sentando sobre uma pedra para descansar e trocar a lente da câmera. Por um momento, passei a contemplar a natureza e sentir o silêncio e a brisa da mata, quando, de repente, surge a uns quarenta metros à frente a imagem esperada há quase 30 anos: uma onça-pintada! Ela caminhou mais um pouco e parou pra cheirar alguns galhos, notei que não me percebera, porque estava a favor do vento e eu não respirava, não mexia nem os olhos e acho que o coração também parou por alguns segundos. Sentindo seu cheiro forte e penetrante e sem ângulo para fotografar fiquei imóvel à espera de um bom momento; quando ela se distraiu por um instante, levantei-me, apoiando o braço em um galho, e fui fotografando aquela cena que jamais vou esquecer. Algumas fotos saíram apenas como borrões, pois eu tremia tanto pela emoção que não conseguia controlar tamanha felicidade. Diferente do primeiro encontro, quando ela tinha me visto primeiro e saiu andando calmamente, nesse, como ela foi surpreendida, ao me perceber saltou espetacularmente para o lado e desapareceu como em um passe de mágica, e eu, meus amigos, sinceramente, precisei de alguns momentos para me localizar e seguir meu caminho pela floresta maaaaaraaaaavilhosa chamada Mata Atlântica.

                                                                                                 Carlos Prudente

 

FEZES DE ONÇA (1974)

Vestígios de pêlos e ossos de um porco do mato, cateto (Tayassu tajacu).

 

PEGADAS (1974)

Pegadas de onça-pintada no lodo onde queixadas (Tayassu pecari) chafurdavam.

 

FEZES DE ONÇA (2011)

             Nos excrementos pode-se notar que tipo de presa ela abateu, contêm pêlos,

ossos e o casco de um porco do mato, cateto (Tayassu tajacu).

 

FEZES DE ONÇA (2011)

Fezes com material não identificável visualmente. Suas pegadas estavam ao redor.

 

 

PEGADAS (2011)

Pata anterior esquerda de uma onça-pintada, fotografada após avistar o animal,

suas medidas são: 12cm de largura por 11,5cm de comprimento.                        

 

Pata posterior direita

 

Pata posterior sobrepondo a anterior

 

 

CARCAÇA DE VEADO-MATEIRO (2012)

Carcaça de um veado-mateiro (Mazama americana), abatido por uma onça,

suas pegadas estavam próximas.

 

PEGADAS (2012)

Pata posterior esquerda da onça sobrepondo a minha pegada.

(Um mito contado por antigos caçadores de onça, com zagaia (lança muito afiada),

diz que elas pisavam sobre a pegada para sentir se o caçador era medroso).

 

CARCAÇA DE UM PORCO DO MATO (2012)

Carcaça com ossos e parte do crânio superior de um porco do mato,

cateto (Tayassu tajacu) os pêlos identifica a espécie.

 

ONÇA-PINTADA (2012)

Onça-pintada fotografada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo, Baixada Santista.

 

 


 

Até o momento já localizei 11 grupos na Baixada Santista

Volta à floresta

Muriqui, Brachyteles aracnoides

Classificação



Classe: Mammalia
Ordem: Primatas
Família: Atelidae
Gênero: Brachyteles
Nome popular: Muriqui ou Mono-carvoeiro
Nome científico: Brachyteles aracnoides
Distribuição geográfica: Brasil, endêmico da mata atlântica
Habitat: Florestas
Hábitos alimentares: Herbívoro
Reprodução: Gestação de 230 dias
Período de vida: Estudos inconclusivos
 

 

          O muriqui ou mono-carvoeiro, Brachyteles aracnoides,do Sul, e o Brachyteles hipoxanthus, do Norte, estão entre os vinte e cinco animais mais ameaçados de desaparecer do planeta, só vivem na mata atlântica e são endêmicos do Brasil,é o maior primata das Américas, sua distribuição original era do sul da Bahia ao norte do Paraná.

          Em meados de 2008, passei a observar sons e atividades desconhecidas para essa região (omitirei o local exato, para preservação dos animais), pois a conheço muito bem. Iniciei algumas expedições, às vezes só, outras com meus filhos, para  tentar descobrir de que animal se tratava; sendo um local de difícil acesso e muito amplo, eu apenas ouvia os guinchos e grunhidos, sempre muito longe, e não conseguia distingui-los. Passaram-se muitos meses, sumiam e apareciam.

         Intensifiquei as buscas e, precisamente no dia 17/5/2010, às 9h35, meu coração quase parou ao depararmos com o bando de muriquis, não acreditava no que via, foi  aquela correria, "mas com muita calma", chovia muito, o dia nublado, e como estavam alto nas copas não adiantava flash, coloquei ISO 400 e comecei a fotografar, queria pelo menos registrar a espécie. Contei no momento sete deles, sendo um jovem andando sozinho e outro filhote agarrado à mãe. Percebi uma movimentação próxima de outros, mas sem avistá-los. Continuando a caminhada, deparamos com outros três espécimes, a uns trezentos metros de onde o bando estava, o que me levou a crer ser um grupo de dez animais. O que mais me encantou foi a sua docilidade; em uma das fotos vocês podem notar ele me olhando. Chamei a sua atenção dizendo “Hei, amigão!” e simplesmente ficou a me observar e voltou a comer; no momento da foto não percebi que era uma fêmea, mas tenho certeza de que ela nem se incomodou com minha indelicadeza, foi maravilhoso! Essas foram as imagens que consegui, gostaria de ter tirado do filhote com a mãe, mas não foi possível nesse momento.

          Nos dias seguintes continuei as buscas para confirmar se esse núcleo era fixo ou estava apenas de passagem. Em 3/6/2010, às 11h20, encontrei-os novamente, fiz uma pequena filmagem, agora, sim, com a mãe e o filhote; eram cinco em uma árvore frutífera e também observei movimentação de outros nas proximidades.  

         Prosseguindo as explorações, no dia 29/6/2010, às 13h30, encontrei-os novamente em outra árvore frutífera, registrando-os em vídeo. Não sei precisar se era o mesmo bando, estava a uns quatro quilômetros mata adentro com referência ao primeiro encontro, eram oito animais, sendo três fêmeas com filhotes de idades diferentes. O maior deles já faz pequenos passeios longe da mãe e logo volta a suas costas. Em todos os encontros observei a ótima forma dos adultos e jovens.  

         Esse novo bando encontrado, o qual dei o nome de "BANDO CACHOEIRA" é de extrema importância, junto com outros grupos, para a não extinção da espécie. Confesso que hesitei em postar estas fotos, me sinto responsável em expor esse magnífico animal; continuo a pesquisar a existência de outros bandos para formar um senso sobre a espécie .

          Agora, divido as fotos com vocês, e espero que a responsabilidade de protegê-los também.

                                                                                                          Carlos Prudente

 

Estas fotos foram tiradas de um bando totalmente selvagem, formando um novo território para viver, a décadas não se tinha notícia da espécie na região.

 

Foto extraída do vídeo

 

 


GATO-DO-MATO-PEQUENO

Leopardus Tigrinus

 

 

Classificação

 

Classe: Mammalia

Ordem: Carnívora

Família: Felidae

Gênero: Leopardus

Nome popular: Gato-do-mato-pequeno

Nome científico: Leopardus tigrinus

Distribuição geográfica: América Central e América do Sul

Habitat: Florestas

Hábitos alimentares: Carnívoro

Reprodução: Gestação de 73 a 77 dias

Período de vida: Aproximadamente 13 anos

 

 Características

 

            O gato-do-mato-pequeno (Leopardus Tigrinus), descrito por (Schreber, 1775) é o menor felino silvestre brasileiro, observando-o pela floresta parece uma onça-pintada em miniatura, seu tamanho varia entre 55 a 80 cm, incluindo o rabo que é longo, seu peso fica em torno de 1,5kg a 3kg. Sua distribuição geográfica estende-se do sul da Costa Rica ao norte da Argentina e é conhecido também pelos nomes de gato-do-mato-pintado, gato macambira, maracajá-í, (Palavra indígena, o fonema “i” na língua Tupi quer dizer pequeno) quase sempre confundido com o gato-maracajá (Leopardus wiedii), o qual é maior. De uma ninhada de pais pintados pode nascer filhotes malhados e outros negros, devido à presença de maior quantidade da melanina, como acontece com a onça-pintada. Hábil caçador, suas presas são os pequenos mamíferos, aves, ovos e insetos, capturados no chão ou nas árvores, é um excelente escalador. Habita as florestas, cerrado e caatinga.

Pesquisa  

 

Em 2009, seguindo por uma picada que atravessa à restinga e entra para a mata de encosta (Floresta ombrófila), cruzou em minha frente um gato-do-mato-pequeno, seguido por outro, me abaixei para melhor vê-los e tentar fotografar, mas a tentativa foi em vão. Ao retornar à picada, vejo outro seguindo rápido o rastro dos primeiros, estava tão determinado que não me percebera a poucos metros dele; ver é fácil, difícil é fotografar. Acredito que era uma fêmea no cio e os machos a perseguiam.

Após esse encontro, coloquei-o na minha lista de pesquisa e com o decorrer do tempo vou atualizando o artigo.

Tentando definir sua área de caça, descobri um de seus caminhos preferidos, seus rastros e restos de suas presas são constantes nesse local. Em uma manhã de maio de 2012 com forte cerração, avistei-o rapidamente por entre a vegetação orvalhada, e ao me perceber, escondeu-se como um corisco pela mata; estou perto de fotografá-lo!

Contínuas buscas me levaram a essas magníficas imagens, de um Leopardus tigrinus, melânico (presença de maior quantidade da melanina) capturando um filhote de paca.

 

Fotos retiradas de um vídeo noturno com infra-vermelho (veja o filme no banco de vídeos)
gato-do-mato-pequeno, Leopardus Tigrinus, melânico, capturando um filhote de paca, cuniculus paca

 

 

Rastros (2012)

Leopardus Tigrinus, pata anterior direita

Pata anterior e posterior

Sua pegada raramente ultrapassa 3cm de largura, o comprimento é sempre menor

Neste carreiro (caminho de animais) pode ser visto rastros de gato-do-mato-pequeno,
lobinho (cerdocyon thous) e de um veado-mateiro (mazama americana).

Local onde foi predado uma juriti (Leptotila verreaux)

 

GATO-MARACAJÁ

(Leopardus wiedii)

 

Classificação

 

Classe: Mammalia

Ordem: Carnívora

Família: Felidae

Gênero: Leopardus

Nome popular: Gato-maracajá

Nome científico: Leopardus wiedii

Distribuição geográfica: América Central e América do Sul

Habitat: Florestas

Hábitos alimentares: Carnívoro

Reprodução: Gestação de 78 a 84 dias

Período de vida: Aproximadamente 13 anos

 

 

Características

 

O gato-maracajá (Leopardus wiedii), (mbarakaja, gato em Tupi guarani), descrito por (Schinz, 1821) é um felino silvestre brasileiro, seu tamanho varia entre 70 a 110cm, incluindo o rabo que é longo, chegando a 51cm, o que ajuda o seu equilíbrio em suas escaladas nas árvores. A adaptação à vida arbórea lhe confere tal flexibilidade, que seus tornozelos giram 180°, facilitando sua descida de cabeça para baixo, é um exímio escalador, passando por galhos muito finos. Seu peso fica em torno de 2kg a 6kg. Sua distribuição geográfica estende-se do México ao Nordeste da Argentina e no Brasil. Cheida (2006) menciona a sua presença em todos os biomas brasileiros. Hábil caçador, suas presas são os pequenos mamíferos, aves, frutos, ovos e insetos, capturados no chão ou nas árvores. Confundido muitas vezes com a jaguatirica (Leopardus pardalis) e o gato-do-mato-pegueno (Leopardus tigrinus) pode ser muito difícil identificá-lo, principalmente na natureza, algumas de suas características que auxilia na identificação rápida é o rabo muito longo, os seus olhos grandes e saltados.

 

 

Gato-maracajá (1981)

 

INSENSATEZ

A foto desse gato-maracajá mostra que a nossa população tinha como tradição o ato da caça e o aprisionamento dos animais. Hoje a insensatez humana perante a natureza espalha a destruição seja pela ignorância,  a falta de informação ou por ignorar o risco que corremos.

Em meados de 1981 iniciei uma criação de abelhas melíferas (Apis melífera) como hobby, que com o tempo se transformou em um negócio por 27 anos. Certa vez, fora chamado para a retirada de um enxame em um sítio próximo à cidade de Engenheiro Marsilac. Feita a remoção ainda durante o dia e como  teria que esperar até a noite para as abelhas se acomodarem e se aquietarem resolvi conhecer a localidade. Solicitei autorização ao proprietário do sítio para andar pelas suas terras a fim de fotografar algumas aves. Pessoa calma e gentil, prontamente autorizou e se prontificou a me mostrar seus animais. Ao chegar no galinheiro, ao fundo avistei alguns viveiros e fui me aproximando, foi quando me deparei com uma cena horrível: estavam presos num local apertado e fétido, um macaco-prego, um casal de tucano-de-bico-preto e esse gato-maracajá ainda jovem, e todos assustados. Pela informação do sitiante, ele os tinha capturado ha alguns dias. Contive-me para não blasfemar! Afinal eu era um convidado e por certo ele não sabia o que estava fazendo. Comecei a planejar como salvar estes animais de tamanha crueldade. Iniciei uma conversa com esse novo amigo, sobre as minhas andanças pela natureza e os encontros com os animais, e fui lhe contando sobre os benefícios que eles nos traziam, a beleza de vê-los soltos pela mata e muitos outros assuntos pertinentes que nem eu sei de onde saiu. Conversa vai e conversa vem, já estávamos tomando um café ao cair da tarde junto a um grande fogão de lenha, quando esse Sr com lágrimas nos olhos levantou a caneca de café e disse “ O sinhô me feis  incherga  a mardade que tem nos home, eu vou sorta esses bicho”. Há! Meus amigos, que alegria ouvir estas palavras! Ele realmente o fez; abriu as jaulas e os animais voltaram novamente à liberdade, de onde nunca deveriam ter saído.

Acredito ser apropriado este relato, pois não gosto de postar fotos de animais em cativeiro, mas esta... valeu a pena!


 

JAGUARUNDI

 

Puma yagouaroundi

 

 

 

Classificação

 

Classe: Mammalia

Ordem: Carnívora

Família: Felidae

Gênero: Puma

Nome popular: jaguarundi ou gato-mourisco

Nome científico: Puma yagouaroundi

Distribuição geográfica: América do Norte,Central e América do Sul

Habitat: Florestas, campos, caatinga e cerrado

Hábitos alimentares: Carnívoro

Reprodução: Gestação de 72 a 75 dias

Período de vida: Aproximadamente 10 anos

 

 Características

 

   

               O jaguarundi (Puma yagouaroundi), descrito por (É. Geoffroy Saint-Hilare, 1803), é mais um felino silvestre brasileiro, seu tamanho varia entre 55 a 77 cm, e 45 cm do rabo que é longo, seu peso fica em torno de 4kg a 6kg. Sua distribuição geográfica estende-se do sul do Texas (ocorrência duvidosa) até a Argentina, conhecido também pelos nomes de gato-mourisco, gato-preto, maracajá-preto e eirá. Tem uma predileção em viver próximo a lagos, rios e brejos, mas pode ser vistos em regiões secas como a caatinga e o cerrado.

               Em uma ninhada pode nascer filhotes cinza, avermelhados ou negros, os adultos pode também ser encontrados com essa coloração. Hábil caçador, suas presas são os pequenos mamíferos, aves, ovos, peixes e insetos. Uma particularidade em seus rastros é que como possuem unhas retráteis, pode eventualmente aparecer em suas pegadas a marca de unhas, (veja fotos) o que acontece muito  excepcionalmente com outros felinos; as medida de suas patas são: de 3 a 4cm de comprimento e de 2,5 a 3,5cm de largura, parece a pegada de uma onça-parda (puma concolor), porém menor, sua almofada lembra um coração invertido.

 

 

 

Este mussum foi caçado por um jaguarundi, que quando me percebeu fugiu. Esperei por mais ou menos duas horas para fotografá-lo, mas ele não voltou, ao cair da noite me retirei e voltei no dia seguinte, onde constatei que ele voltara e levou sua caça. Suas pegadas carregando seu troféu eram evidentes.

 

Mussum, (Synbranchus marmoratus) (1988)

 

 

RASTROS - 2012

 

 

 

 

 


CACHORRO-DO-MATO

Cerdocyon thous

 

Classificação

Ordem: Carnívora

Família: Canidae

Nome popular: Cachorro-do-mato, lobinho, graxaim ou guaraxaim

Nome científico: Cerdocyon thous

Distribuição geográfica: América do Sul

Habitat: Florestas cerrados e campos.

Hábitos alimentares: Onívoro

Reprodução: Gestação de 56 dias aproximadamente.

Período de vida: Aproximadamente 9 anos

 

 

Características

 

O cachorro-do-mato, Cerdocyon thous (Linnaeus, 1706), é um canídeo brasileiro, de hábito noturno, podendo ser encontrado também durante o dia, vivendo nas florestas, cerrados e campos do Brasil, sua coloração varia do cinza ao marrom, possui uma linha dorsal de cor preta que se estende da cabeça até a cauda. Na muda dos pêlos, a cor e o tamanho, sofre variações com as mudanças de estações, observei essas mudanças em animais que encontrei mortos em rodovias, no inverno é mais sedoso. Medindo cerca de 65cm de comprimento e 30cm de cauda, são medidas aproximadas podendo variar para mais ou para menos, pesando de 5 a 8kg. Sua dieta é onívora, comendo frutas, aves, insetos e pequenos mamíferos. Em seu rastro pode-se notar quatro dedos de forma alongada com a marca das garras, em sua pata posterior os dedos do meio se sobressai com as garras bem próximas (veja fotos), o tamanho das patas variam de 4 a 5,5cm de comprimento e a largura sempre menor.

 

Fotos (2012)

27/06/2012

 

Fotos noturnas (2012)

02/07/2012

 

Rastros (2012)

 


CACHORRO-DO-MATO-VINAGRE
Speothos venaticus

 

Classificação

Ordem: Carnívora
Família: Canidae
Nome popular: cachorro-do-mato-vinagre
Nome científico: Speothos venaticus
Distribuição geográfica: América Central e América do Sul
Habitat: Florestas, cerrados, savanas.
Hábitos alimentares: Carnívoro
Reprodução: Gestação de 65 e 80 dias
Período de vida: Aproximadamente 10 anos

 

 Características

             O cachorro-do-mato-vinagre, Speothos venaticus  (Lund, 1842), é um canídeo brasileiro, de hábito diurno e crepuscular, se recolhendo para dormir em tocas na terra ou em cavidades nas árvores. Vive em bandos, onde só o casal dominante se reproduz, com uma ninhada média de três filhotes e a gestação de 65 a 80 dias.  Sua coloração possui variações do marrom e sua cabeça é sempre mais clara, o que se faz parecer com uma irara (Eira barbara).  Seu corpo é atarracado, possui as pernas, orelhas e cauda curtas e seus dedos são ligados por membranas, que  o faz um grande nadador, conseguindo  capturar presas dentro de rios e lagos. Seu comprimento fica entre 55 e 75 cm da ponta do focinho a ponta do rabo, e o peso entre 5 e 8kg. O tamanho de suas pegadas, fica em torno de 4 a 6 cm de comprimento e largura de 5 a 6,5 cm.
 
               O cachorro-vinagre, sempre foi muito difícil ser visto na natureza, arredio, procura sempre se afastar dos humanos. Em 2010 encontrei um individuo, na região da Baixada Santista, que quando me percebeu, fugiu rapidamente; após alguns meses encontrei-o novamente, no crepúsculo da noite.                 
               Em 19/08/2013 encontrei suas pegadas, as quais também, são muito raras de serem vistas.
             Fotografadas, podem ser  observadas logo abaixo; essas pegadas foram feitas na noite anterior, que era noite de lua clara.

 

 

Compare as pegadas e veja que na do cachorro-vinagre as linhas que separam os dedos, são mais largas e não chegam ao centro, sinal das membranas que os ligam.

 

 

Pegadas de cachorro-do-mato-vinagre, (Speothos venaticus)